quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Resposta ao invisível

Saí às 7:15 de casa. O vô me deu carona até o centro.
Eu me sinto amada. A fase em que duvidei do teu amor por mim já passou há muito tempo. Minhas dúvidas agora são outras.
Pena tu não ter me encontrado hoje. Também acordei querendo te ver. E passei o dia todo ontem querendo te ver.
Esperei por ti. Tu não veio. Te procurei. Não te achei. Resolvi me misturar aos estranhos numa sala de cinema. Saí no meio do filme.
Simplesmente não conseguia ler, nem entender, nem enxergar nada nem ninguém. Tua imagem ocupava a minha mente.

Nos vemos daqui a pouco.

sábado, 15 de março de 2008

Solucionar o inexplicável

E essa dor no peito? O que será? Esse aperto por dentro? O que deve ser? Culpa? Medo? Vergonha? Ou a mistura caótica desses e de inúmeros outros sentimentos? Resultados de misturas. Sou composta pela junção dos sentimentos que se apresentam a mim. Queria saber separá-los para, assim, analisá-los, cada qual com seu poder, cada qual com sua função, cada qual com sua essência. Não sei fazer isso. E odeio não saber. Qual será a fórmula para tal solução? Vou continuar a não saber.

(Escrito em 14/03/2008)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Fragmentos coligados

qual o valor real das coisas? qual a verdadeira importância dos fatos, das pessoas? às vezes, me sinto incapaz de viver SEM a ignorância nunca é bem-vinda. me recuso a viver nela. não aceito não saber de todos os fatos que de forma direta ou indireta influenciam NA minha existência está escassa, se acabando aos poucos. devagar ela se esvai. e eu, impotente, a sinto indo embora tão cansanda quanto todo O resto de mim: peças soltas de um quebra-cabeça sem forma; fragmentos de matéria morta; princípio da imatéria. me sinto inutilizável e IRREPARAVELMENTE fragmentada em pedaços disformes: sou eu dentro de mim. não vejo nada além dessa escuridão impiedosa, que nem penumbra aceita SER real ou imaginária? autêntica ou plástica? humana ou demoníaca?

sentes falta das palavras nos seus devidos lugares, das possíveis vírgulas e pontos finais? sinto falta de uma direção e de uma razão que me faça SER eu não suporto mais.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Processo de auto-privação

Uma pequena discórdia, uma lembrança triste, um pensamento aterrador, um flagrante óbvio e já esperado: motivos ideais para uma mudança brusca de humor e direções. Ser racional neste momento, com todas estas certezas pulsando na cabeça - e nas veias - é um exercício dificílimo.

O que fazer? O que esperar? Como agir? O que sentir? O que dizer?

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O medo da escrita

Importuno momento onde a criatividade é intimidada pelo medo do não criativo, do não original, do não interessante. Escrever rodeado destes receios limita o escritor a imprimir o já escrito, ou a simplesmente não escrever. Estas duas possibilidades são tão ameaçadoras quanto o medo da escrita em si. A primeira é uma ameaça ao novo, ao inédito. A segunda ameaça o expressar, o dizer. Por isso, só escrevo quando não tenho medo.

domingo, 23 de setembro de 2007

Tristeza

Olho para o pequeno vaso com as flores que você me deu. Elas estão todas morrendo. Todas. Eram vermelhas. Agora, estão numa cor que não sei definir direito. Roxo, parece. Não sei... O que sei é que junto com as flores, algo dentro de mim está morrendo também. E você nem percebe. Talvez porque você esteja ocupado demais tentando mantê-las perto de você, no "postinho" que você reservou para cada uma delas em seu coração. Amigas e parceiras, amigas e parceiras, amigas e parceiras, amigas e parceiras, amigas e parceiras. Eu, o que sou?

Me sinto tão triste, tão sozinha. Até chorar dói. E você nem vê. Você acha que me entende e diz que está tentando me ajudar, mas continua a viver sua vida do jeito que sempre viveu.

Não me importo em escrever estas coisas aqui, porque sei que você não irá ler nada disso. Você não se importa mais com o que escrevo.

Não sei até onte vou aguentar. Não sei até onde você vai aguentar.

Eu só queria poder ir embora da sua vida sem terminar de morrer por dentro. E mesmo indo embora, você continuaria sendo o único a ocupar meu coração.

Aula de "Relações Humanas"

- Você deixa eu abrir este cadeado? Podemos abrir juntas. - Disse ela, com os olhos azuis brilhando de excitação diante do suposto desafio.

- Não vejo razão para abrir este "cadeado". É a minha vida, a minha história. Não existe motivo para compartilhá-la como um conto qualquer. Na verdade, este "cadeado" nem existe. Vocês é que o inventaram para justificar a dificuldade de comunicação entre as pessoas. Se não existesse algo que criasse problemas no (in)consciente das pessoas, o que seria da psicologia, psiquiatria e similares?

- Então, Sheyla, você está querendo dizer que inventamos os problemas na cabeça das pessoas para manter nossos empregos?

- Oh, não. Eu não seria tão injusta assim. O que quero dizer é que nesse caso - no meu caso - não existe problema. Não esse problema. Eu tenho vários problemas emocionais, claro, como todo e qualquer ser humano. Mas essa introversão, não é um problema. Sou introvertida por escolha.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Indo-se

O que sei é que tua ausência já está declarada inconscientemente dentro de mim. Você morreu pela primeira vez trocando de cidade. E agora seu corpo já não consegue mais segurar seu espírito. Ou será ao contrário? Já não sei.

Disseram que talvez você se vá hoje. Parece que a reação biológica vai ser forte demais para seu organismo já debilitado suportar. Um de seus rins não funciona mais. Disseram que daqui a pouco o outro também vai parar de funcionar. O espiritismo diz que quanto mais sofrida é a morte de alguém numa vida, mais difícil foi esta pessoa na vida anterior. Você não acredita nisso. E eu não sei mais no que acreditar. Essa seria a única explicação para tanto sofrimento, mas você nunca me pareceu uma pessoa difícil. Então, não sei porque você está sofrendo tanto.

O tempo é tão irônico. Enquanto vivo os momentos mais felizes da minha vida com meu namorado, você vive o últimos momentos da sua. E sei que eles não estão sendo felizes. Daria tudo para que eles estivessem sendo. Seria contraditório demais se eles estivessem sendo. Alegria e felicidade até no fim. Nunca vi alguém morrer assim.

Você nunca irá saber que escrevi estas coisas, mesmo que você dure mais 10 anos. Somos fundamentados em bases totalmente diferentes. Você é de 25. Eu sou de 85. Você não tem mais ninguém da sua época. Estão todos mortos. Eu nunca perdi ninguém da minha época. Talvez você seja o primeiro. Deve ser muito triste ter sua vida apenas como lembrança, sem amigos, pais, irmãos, irmãs, parentes, ter sua infância inteira apenas em sua memória, olhar para sua cidade natal e não reconhecer ninguém, nenhum rosto amigo ou ao menos conhecido. Todos mortos. Não consigo concretizar isto. É triste demais.

Me aconselharam a te procurar, pois tenho que participar desta sua última transição. Uso minha falta de dinheiro como desculpa para não ir ao seu encontro. Sou covarde, sempre fui. Sempre chorei sua doença sozinha e nos cantos mais quietos possíveis, fazendo de tudo para ningúem me escutar. Estou apavorada diante de tudo isto. Me pergunto como você está se sentindo, mas não em termos fisiológicos, pois sei que fisicamente a dor é imensa. Queria saber como está seu coração. Você parece tão calmo e sereno ao telefone, sempre dizendo que está bem e até fazendo piada com a sua situação. Sempre querendo acalmar a todos. Este deveria ser o verdadeiro sentido da palavra patriarca.

Tenho tanto a dizer... Mas minha covardia me impede de lidar com os sentimentos que você me causa. Te peço perdão pela neta aparentemente desnaturada que sempre fui. Sempre pensei em você e ainda penso. Te salvei uma vez através da minha pureza e inocência. Mas não sou mais pura nem inocente, então, não ouso nem tentar.

Obrigada por fazer parte da minha existência.

Sangue

Essa vontade de matar o "inimigo"
Planejo mortes sem razões sensatas
Meu ódio, inveja e ciúmes são infundados
Ou talvez não.
Talvez, eu realmente tenha que me sentir assim,
Com esse sangue nos olhos,
Desejando a carnificina de tudo aquilo que me faz mal
Preciso de equilíbrio
Preciso aprender a matar as pessoas por dentro
E não de forma externa,
Pois a morte interior é muito mais densa, precisa e irreversível
Eu almejo-a a todos
Quase todos

(05/08/2007, domingo)

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Um ser humano como o meu

Quando tento entender o que sou nesse mundo físico e terrestre, nunca encontro uma resposta. Alguém me classificou como ser humana. O que significa humana? O que significa ser? De onde vem a palavra humana? Se existem, de onde vem seu prefixo e sufixo? Essa é uma palavra de origem grega? Romana? Latina? Hebraica? Não sei. Não sei de nada.

Dizem que sou a melhor criação de Deus, que sou sua imagem e semelhança, e por esse motivo, sou tão bela quanto ele. Me disseram isso olhando nos meus olhos, que se encheram de lágrimas por meu coração sentir a necessidade de que aquilo fosse verdade. Tentei acreditar. Tentei mesmo. Se sou a imagem e semelhança de Deus, por que sou tão imperfeita? Não acredito em mim como pessoa. Não acredito que dentro de mim de fato exista toda a essência bondosa que convencionaram para a palavra humana. Me sinto má, me vejo má. E vejo maldade em tudo, em todos.

Acredito que não sou um ser humano. Acredito que tenho um ser humano traçado para ser. Quando penso nisso, me sinto fora de mim, como se essa parte desconhecida que está dentro mim tentasse vir à tona, tentasse se sobrepor a todo esse ser humano que tento ser. E às vezes ela se sobrepõem. Me sinto tonta e fora de órbita quando isso acontece, como se por um segundo eu tivesse a consciência real de que sou apenas um brinquedo auto-programado nas mãos de Deus. E é assim que me sinto.