Você acha que sabe como me sinto, e finge entender minha situação, minha falta de perspectiva, minha agonia interior, meus distúrbios emocionais, mas a verdade é que você não faz idéia do que é ter consciência de si mesmo. Às vezes, essa consciência vem tão forte e reveladora, que chega a doer fisicamente, me levando a querer me punir, me flagelar, e às vezes, me levando a fazer isto de fato. Então, você me vê, e me manda um sorriso forçadamente terno, tentando de alguma forma camuflar o seu verdadeiro conceito sobre mim, a sua agonia em me ter por perto e principalmente o medo da suposta força adversária que represento pra você.
Você diz que não sabe como consigo ser tão auto-destrutiva. Não existe mais o que destruir. Você escuta isso, e diz que sou exagerada e ingrata com Deus, a vida, o cósmo e sei lá mais quem. Gratidão é algo que não se sente por obrigação ou conveniência. Sente-se por reconhecimento de algo bom.
Você diz que sou tão triste, que meu olhar é sempre vago e distante. Então, você se aproxima de mim e tenta me dar algum prazer sexual, como se dessa forma eu/você pudesse manter meu corpo ocupado em sentir o seu. Mas, nem sempre eu sinto. Às vezes, não te sinto dentro de mim. Estou tão compenetrada em me imaginar num plano superior que simplesmente não te sinto. Então, olho para o teto de algum quarto qualquer, na esperança de que ele se abra e algo de bom me seja mostrado dos céus. Isso nunca acontece. Volto a mim, e o único movimento que percebo é do seu corpo tentando entrar cada vez mais no meu.
Minha apatia te frustra. Sua esperança em tentar conseguir o melhor de mim me deprime.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Explicando Sheyla
Devo me envergonhar por ter o que tenho entre minhas pernas? Ah, é? Por que? Será que é porque você se sente tão fatidicamente atraído pela minha essência (não por mim), que não encontra outra maneira de lidar com isso, exceto me difamar e me humilhar? Claro que essa difamação e humilhação só acontece na sua cabeça, pois sua ignorância não me afeta ao ponto de me magoar ou me humilhar, e sim ao ponto de me deixar com raiva e ódio de ti e de todos (e são muitos, homens e mulheres) iguais a ti. Tenho orgulho de mim, com todos os meus desejos, cheiros, órgãos, idéias e todo o resto que me faz ser o que sou. E você vem nos chamar (eu e todas as mulheres que se negam a aceitar os seus obsurdos) de vagabundas, putas e similares. Adoro quando você fala assim de nós. Adoro mesmo, querido tio, querido avô, querido "amigo", querido estranho, querido moço da TV, querido moço do rádio, querido colega de trabalho, querida avó amélia, querida tia submissa, querida mãe, querido pai. E depois dizem que eu é que vivo generalizando as coisas, rotulando tudo e todos, especialmente os homens e suas ações e ideías padronizadas e machistas. Não, não generalizo, apenas contabilizo. Isso já não é apenas machismo. Isso é a violação dos direitos que um ser humano tem de ser respeitado. Estou grávida desde os 14 anos. Estou com 21, agora. Me pergunto onde foi parar minha barriga. Por que será que não sinto o meu bebê? Acho que ele está morto, tão morto quanto minha fé na bondade e conscientização do ser humano, tão morto quanto a chance de você ser um verdadeiro ser. Nem se você nascesse de novo, isso seria possível. E você me rotula como feminista. Querido, se você não fosse tão ignorante, saberia de fato o que é ser feminista, mas nem isso você sabe. Mas eu te explico, meu pequeno anjo caído. Ser feminista é querer para o sexo feminino toda a superioridade e importância que você atribui ao que você tem no meio das suas pernas. Você entendeu agora? Me fiz clara? Certo. Agora vou te explicar o que eu defendo. Defendo a igualdade dos sexos, sem diferença nenhuma, exceto pelas diferenças orgânicas, fisiológicas e morfológicas. Mas você não sabe o que é isso, não é? Pra você sou apenas uma menininha que está querendo se passar por mulher, e que precisa mesmo é de um homem viril e "comedor" que bata na sua cara e segure suas rédias, como você faz com sua "mulher". Isso é tão arcáico e grotesco. E você me chama de "vulgar" por deixar bem claro que adoro fazer sexo. Mas você acha justo utilizar termos como "comer" e "dar". Eu não dou, querido. Eu faço sexo, eu compartilho meu corpo, eu divido momentos de prazer intenso, eu troco fluídos e acima de tudo, eu RECEBO tudo isto também. E ninguém me "come", não, pois não sou comida pra ser comida. Só gostaria de saber de onde tiraram essa expressão "comer".
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Olhar para você ainda há pouco me fez ver o quanto você é frágil. Suas roupas simples, sua aparência humilde, sua falta de perspectiva com relação ao seu futuro (e acho que ao meu também), seus medos, seus vícios incontroláveis... Tudo isso me fez sentir tanta compaixão que me levou ao ponto de abraçá-lo, da mesma exata maneira que você me abraçava quando eu era criança. Tua força é uma virtude que invejo. Me arrependo por ter te dado tão pouco. Mas o teu descontrole sempre me petrificou. E ainda petrifica, pai.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
O de sempre
E esse mal humor que nunca acaba. Parece sono ou cansaço, mas não é. É simplesmente um mal humor desgraçado que me faz querer ficar longe de tudo, todos e todas, e independente do que eu faça, ele nunca passa. E é nesse, entre outros momentos, que eu gostaria de poder sair de dentro de mim e não voltar mais. Vagar em algum lugar ou estação calma e segura. É como em "Would not come". Nada do que eu faça ou fale pode me tirar de mim... E isso me cansa e cansa as pessoas ao meu redor. Mas não posso fazer nada.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Dirty
Minha falta de disciplina está me matando...
Tão relapsa, dispersa e (não!!!) superficial...
Uso meu tempo perdido com vãs tentativas de salvação,
Como desculpa para me auto-afligir
Tenho sido inegavelmente anti-ética
O que repugno tornou-se minha válvula de escape
Isso é tão vergonhoso
Me sinto irreversivelmente devassada
Por meu desejo de auto-salvação
Minha mente está confusa
Tão relapsa, dispersa e (não!!!) superficial...
Uso meu tempo perdido com vãs tentativas de salvação,
Como desculpa para me auto-afligir
Tenho sido inegavelmente anti-ética
O que repugno tornou-se minha válvula de escape
Isso é tão vergonhoso
Me sinto irreversivelmente devassada
Por meu desejo de auto-salvação
Minha mente está confusa
(Sheyla Fernandes - 12/12/2005)
Deepness
Meu cansaço está me matando
Minha cabeça dói
Meus olhos molham meu rosto
Minha boca sufoca com seu próprio silêncio
Minha voz se embarga por não dizer o que deve
Meu espírito confundi-se em si mesmo
Meus desejos me traem
Meus fundamentos desmoronam-se
Minhas convicções caluniam-se
Minhas contradições me apavoram
Meus seres preferidos me abandonam
Tudo junto, tudo fundo, tudo imundo...
Estou inundada de mim
E carente de meu ser
Seriedade,
Serenidade,
Sinceridade,
Severidade...
Isto sou eu,
Um poço sem fim
Minha cabeça dói
Meus olhos molham meu rosto
Minha boca sufoca com seu próprio silêncio
Minha voz se embarga por não dizer o que deve
Meu espírito confundi-se em si mesmo
Meus desejos me traem
Meus fundamentos desmoronam-se
Minhas convicções caluniam-se
Minhas contradições me apavoram
Meus seres preferidos me abandonam
Tudo junto, tudo fundo, tudo imundo...
Estou inundada de mim
E carente de meu ser
Seriedade,
Serenidade,
Sinceridade,
Severidade...
Isto sou eu,
Um poço sem fim
(Sheyla Fernandes - 11/10/2004)
The same old fears
Ah, e esse medo de ser trocada pela facilidade e beleza fulgaz do outro mundo... É o mesmo medo de sempre. O velho e companheiro medo. "The same old fears". Se você continuar a canção, saberá exatamente como me sinto.
É, Janis, não deu pra te ouvir hoje também. Achei que o problema fosse a pilha, mas me enganei. Vou ter que dar um jeito de te ouvir. Talvez se eu resmungar "To love somebody" adiante alguma coisa. Mas não seria o mesmo que te ouvir. Faz tanto frio aqui nessa droga de lugar. Não aguento mais essa chuva, esse cheiro, essas "músicas", essa gente fútil e superficial. Caminhei pela praia hoje a tarde. Caminhei em busca de paz de espírito e na esperança de ver quem eu quero. Mas nenhum dos dois objetivos foi alcançado. Minha caminhada de 4 horas só serviu para cansar minhas pernas e para me lembrar do quanto estou caminhando do lado errado da minha vida. Me sinto tão suja quando olho pra mim mesma. Tento justificar meus atos como feitos por um tipo de vingança. E sei que foi. Eu só queria entender os teus. Por que me trair? Por que me humilhar? Por que me ofender? Chorei tanto por ti, por mim e principalmente por nós. E ainda choro. Falei pra você que parece que essa minha tristeza não vai acabar nunca. E realmente, ela nunca vai acabar. Sempre vou lembrar do que vivemos, da forma como vivemos e quando chegar nesse ponto ficarei triste. Essa sensação de insuficiência... Sempre tivesse o poder de fazer eu me sentir assim, e mesmo agora, depois de meses sem te ver, ainda me sinto assim. São muitas as dores, muitos os sentimentos que machucam, mas esse é o mais cruel. Insuficiência. O que me consola é saber que você foi muito mais insuficiente do que jamais serei em toda a minha vida. Isso me consola e me dá forças pra recomeçar. E estou recomeçando. Maravilhosamente bem.
(19/02/2007)
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Madrugada. Uma hora da manhã??? Talvez... não tenho relógio aqui. Estou sozinha, pois todos foram para a festa na droga de praia. A luz na barraca não está muito forte, apenas o suficiente para eu enchergar o que escrevo. Chove e faz frio. A Janis já não chora mais para mim, pois acabou a pilha. Agora só amanhã, droga. Os únicos barulhos que escuto agora são os insetos, a poluição sonora que ousam chamar de música e os pingos da chuva na barraca. Para alguns isso seria a descrição perfeita do tédio, mas não para mim. Gosto de ficar sozinha em lugares quietos. Isso me faz pensar. E estou pensando, pensando em várias coisas, especialmente em você. Me pergunto onde você está agora, o que está fazendo, como está se sentindo, se pensou em mim em algum momento. Te procurei na praia sábado a tarde. Não te achei, então subi alguns morros e tentei explorar alguns lugares. Nunca me senti tão perto da morte.
Pintura
Eu pintaria você se eu pudesse. Pintaria teus traços, tua feição, cada detalhe do teu rosto, que está ficando cada vez mais íntimo e querido para mim. Teus olhos expressivos, tua boca delicada, teu nariz, tua barba que me excita toda vez que encosta na minha pele, teus cabelos... Pintaria até aquela mecha encaracolada que sempre teima em cair no teu rosto, mecha que tenho vontade de enrolar nos dedos toda vez que a vejo. Adoro os teus cabelos. Seria difícil pintar você em todos os detalhes. Teu rosto é muito rico. Mas, mais difícil do que pintar teu rosto seria transcrever para a tela a singularidade que emana de você. Isso sim seria impossível. Nunca conheci alguém como você. Será tão fácil me envolver.
(18/02/2007)
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